RPG-Old-School

E aí meus amores que adoram rolar uns dados? Tudo maravilhoso com vocês? Comigo nem tanto… Quer dizer estou feliz de estar mais uma vez com esse artigo lindo e cheiroso (tá bom, não está tão cheiroso) aqui com vocês.

Maaaaaaaaaaaas…

Preocupações com a cara do RPG Old School me arrebatam. Você pode ter pensado que esse tema é agressivo só pra dar aquele leve clickbait, mas me acompanha que eu vou te mostrar que algo, como diria o Timão, “está fedendo” no que nós chamamos de RPG Old school.

Mas o que é Old School

Senhores, RPG Old School (que a partir de agora vou abreviar para “O.S”) nada mais é do que uma tentativa de resgate do RPG que se jogava na década de 70 e 80, onde os caras estavam fugindo dos sistemas complexos de wargame e enxugando regras e ao invés de controlar exércitos, controlavam heróis.

Nessa pegada os jogadores não tinham que decorar suas fichas, pois não eram limitados pela mesma e o trabalho do mestre era mais sério, ele tinha que saber onde estava se metendo. As regras não diriam tudo para eles, assim, tinham que se virar e improvisar, as mecânicas não limitavam o jogo, pois, por justamente serem simples, eram mais ligados a imaginação e criatividade dos jogadores/mestre, como todo bom RPG deve ser.

Senhores esse não é um artigo sobre o que é o O.S, vou falar mais sobre algumas características dele mais a frente quando for necessário, mas o que eu gostaria mesmo é que entendessem o espírito da coisa.

Pra finalizar a ideia do Old School, ouvimos e lemos muito essas duas frases: “Old School é extremamente letal” e “É um jogo que se desafia o jogador e não a ficha”.

Mas para terem uma noção do que eu estou falando, precisam entender que existe todo um movimento que está tentando trazer esse espírito de volta, o Old-School Renaissance.

Old-School Renaissance

Ultimamente um grande movimento de “voltar as origens do RPG” vem se firmando não só na comunidade de RPG do Brasil, bem como do mundo todo, esse movimento é conhecido como Old School Revival ou Old-School Renaissance (abreviadamente OSR).

Em sua teoria, o movimento OSR dá um maior poder para o Mestre (entendam que quando eu falo Mestre, estou me referindo a posição, não somente aqueles jogos que chamam de mestre, pode ser chamado de Narrador, Guardião, etc.), colocando-o acima das regras estabelecidas. A ideia é que os jogadores se envolvam com a fantasia o máximo possível, e que o Mestre arbitre os resultados de suas ações específicas.

A preocupação com o equilíbrio do jogo está em segundo plano, em favor de um sistema que, como já falei, testa os jogadores e não suas fichas. Havendo obviamente uma boa possibilidade de os jogadores encontrarem a derrota, caso, meramente, coloquem-se diante do perigo sem qualquer estratégia, ou ideia bem formada.

No meio desse movimento surgiu a criação e promoção do que chamamos de retroclones, que são jogos de RPG, que tentam reproduzir, o mais fielmente possível, e dentro dos limites do que é permitido por lei, os princípios e regras de jogos mais antigos.

Pra Jacu

Mas pera aí… Eu ainda me sinto no clickbait, você disse que Old School é pra jacu! Mas até agora só falou bem…

Calma! Eu falei bem do espírito do O.S que é algo que eu admiro muito, mas ultimamente têm aparecidos vários retroclones que se afirmam terem o espírito do O.S, e que prezam pelos seus princípios, mas não são jogos novos com um espírito velho… São jogos novos, com espíritos novos e uma maquiagem velha… só!

Quê? Pera! Maquiagem? Não entendi nada.

Calma! Vou explicar para que possam me entender. Ser Old School não é meramente ser letal, mais importante que isso é desafiar o jogador. Muitos Retroclones utilizam uma grande letalidade e gabam-se de serem O.S.

Exemplos de bobagens que encontramos em supostos RPGs O.S, tabelas… Senhores e senhoras, o mestre deve estar no comando o tempo todo, você não rola um crítico e depois rola uma bosta duma tabela para saber o que aconteceu.

Eu vi uma mesa, particularmente famosa na internet, jogando um jogo desses e um player acertou um crítico arremessando uma pedra mirando na cabeça de um monstro que se escondia atrás de outros monstros… Ele teve um acerto crítico, rolou na tabela de crítico e quebrou o joelho do monstro.

COMO? EM NOME DE GYGAX!!!

Se o mestre controla essa merda… Não tem pra que ter uma tabela pra me explicar o que ocorre com um crítico. E se a droga do monstro nem tivesse pernas?

Nessa mesma mesa, um jogador foi olhar um poço, fez um teste de salvamento e morreu… COMO ASSIM!? “Desafia o jogador e não a ficha, mas se não passar no teste de salvamento… morre”. Então desafia o jogador só até ele falhar nos testes, independentemente de qualquer coisa… Não vou me alongar por causa da minha saúde, já estou com dor de cabeça só de lembrar…se eu ficar insistindo nisso vou morrer de aneurisma.

Outro Exemplo… Em outra mesa na internet, essa nem tão famosa, mas muito boa. Um jogador enfrentava ratos atrozes, um dos ratos obteve um crítico e o mestre falou… “Nesse sistema deu crítico matou!” Ele narrou como se esse rato tivesse saltado mais de 4 vezes o próprio tamanho para acertar a garganta do jogador… Preciso comentar?

Ilustração por Russell Dongjun Lu

Mais um exemplo, jogador tendo que rolar dados para saber quanto tempo ele demora a achar algo na mochila, independente se na mochila dele tenha só o item que ele buscava… Jogador tendo que rolar dado para saber a quantidade de tempo que demora na conjuração de magia.

Em um futuro artigo falarei como utilizar o lado bom do O.S em sua mesa, mas alguns sistemas falharam miseravelmente em trazer esse espírito. O.S não é matar jogador por causa de crítico e jogada de salvamento é recompensar boas ideias e punir severamente péssimas ideias, é ver o jogador pensado antes de agir, imerso no jogo e não olhando para sua ficha procurando no que ele é bom para escolher como interagir e o melhor combo que pode fazer. É viver aventuras com emoção e não calcular os pontos que possui, é ter a interpretação acima da rolagem do dado, é contar uma boa história com seus amigos independente se eles têm ou não determinadas skills.

Antes de encerrar esse artigo preciso fazer um disclaimer… Eu adoro vários jogos conhecidos como retroclones e gosto da ideia do movimento OSR, mas acredito que temos ainda uma boa jornada pela frente, tentando voltar as nossas origens, espero que façamos com criatividade e bom senso.

E você? Já experimentou algumas das loucuras sem sentido de algumas regras, sendo retroclone ou não? Então deixa aí nos comentários.

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Classe/Nível: Escritor de Artigos 4°, Tradutor 3°, Zinner 1°.