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Fala meus roladores de dados lindos… (vocês é que são lindos, não os dados, deu pra entender, né?)

Hoje vou falar sobre orgulho e preconceito (não o livro), sobre extrajogo/metajogo/metagame e sobre o mito do jeito certo de jogar e obviamente sobre diversão.

Orgulho e Preconceito

Não vou bancar o chato e falar o quanto esses dois sentimentos tão comuns nos dividiram e nos dividem até hoje… por causa desse tipo de coisa agimos, por vezes, como idiotas e nos segregamos.

Bem tanto faz… vim falar sobre RPG.

Colocando uma lente para dentro do RPG, nem quero falar sobre a barbárie que são mesas que não aceitam mulheres, ou carregam qualquer tipo de ranço preconceituoso, quero falar daquelas mesas que se sentem superiores por jogarem do “jeito certo”.

Antes de mais nada quero ressaltar um anime que exemplifica bem o que quero dizer o “Wotaku ni Koi wa Muzukashii” (abreviado para Otakoi) esse anime fala sobre dois casais que são amigos entre si e todos os quatro são Otakus, sendo que cada um é um tipo diferente, um gosta mais games, outro gosta de fazer cosplay e por aí vai… O interessante é que de vez em quando eles têm discussões, pois acreditam que seus interesses são, de algum modo, mais importantes que os interesses de seus amigos, declarando veladamente e explicitamente, mas todos carregam um sentimento de superioridade.

Nesse texto faço o Mea Culpa, tendo em vista que eu sou assim, na verdade acho que a maioria das pessoas são… então não quero que você se sinta culpado/a pela maneira que se sente, somente quero que tente melhorar.

Não ache que o fato de outra mesa jogar um jogo sobre fadas enquanto a sua joga uma sobre vampiros, te faz melhor de alguma maneira. Não ache que pelo fato de você investir mais em horror pessoal está jogando da maneira correta, enquanto outra mesa foca mais em combate e uso de disciplinas (poderes vampíricos).

Outros bons exemplos é o pessoal que joga edições mais antigas de RPGs, ou só joga com suplementos oficiais, isso não faz você jogar melhor, nem do jeito certo, você joga do jeito certo se sua mesa está se divertindo.

O jeito certo de jogar

Então bora falar sobre como jogar do jeito certo. Bem é  muito fácil jogar RPG, só precisa se preocupar com 2 regras.

A primeira é conhecida como muitos como a Regra de Ouro, que é:

1 – DIVIRTA-SE

Vou resumi-la da seguinte forma, se qualquer coisa se interpõe a diversão, seja uma regra, seja um personagem, seja o que for, a diversão sempre deve prevalecer.

Essa norma parte do pressuposto de que o objetivo número 1 do jogo é se divertir, não tem pra que reservar horas de um final de semana para não se divertir, seja achando tesouros, explorando um mundo cyberpunk ou se cagando de medo de deuses antigos… as pessoas se reúnem para jogar porque se divertem, assim essa regra é mais que natural.

Já extremamente debatida no meio RPGístico, por vezes sofrendo críticas severas, não a regra em si, mas sua utilização. Como assim? Já vi muitas pessoas falando que um sistema extremamente dependente da regra de ouro, onde suas regras serão extremamente modificadas para poder ser divertido se trata de um sistema ruim…

Minha opinião sobre isso? Foda-se…

Se você quer mudar todas as regras de um sistema pra se divertir e mesmo assim você diz gostar desse sistema, apesar de que ele só lhe satisfaz todo alterado, ninguém deve julgá-lo por isso… Divirta-se afinal essa é a regra de ouro… O sistema é feito para um determinado conceito, se esse conceito não cabe na sua mesa mude-o, ele foi feito pra isso mesmo, como falei no artigo de aventuras prontas.

Agora chegamos à segunda regra.

2 – PROIBIDO EXTRAJOGO/META GAME

Eu não usarei extrajogo. O extrajogo é o assassino do RPG. O extrajogo é a pequena morte que traz a total obliteração. Eu enfrentarei minha vontade de usar o extrajogo, não permitirei que ele entre na minha mesa, ele passará sobre ela e através dela. E quando houver passado, voltarei meu olhar interior para ver sua trilha. Por onde o extrajogo passou, nada haverá. Somente eu remanescerei.

De modo simples posso afirmar que o extrajogo ou meta game trata-se de toda e qualquer ação/reação realizada por um jogador (incluindo o mestre), que se vincula a conhecimentos que o jogador possui, mas o personagem não…

Não gosto muito de usar a expressão meta game, pois ela existe no meio dos jogadores de poker, e significa tudo aquilo que não é ligado ao jogo em si, como as bebidas, a iluminação, a mesa onde jogam. Mas no mundo RPGístico ele tem esse significado mais tenebroso.

Essa regra, infelizmente, é muito negligenciada, não recebendo seu devido destaque. E tive de enfrenta-la como um mestre novato e desavisado, assim, hoje sou testemunha do poder de destruição do extrajogo, quase perdi uma mesa maravilhosa por causa dele… qualquer dia faço um artigo só sobre a minha história, mas por hora saibam que essa regra número 2 nunca vai de encontro a número 1.

Como assim? Mas se o jogador se diverte com o extrajogo proibi-lo de usar não vai de encontro a regra número 1? Não, pois a regra número 1 trata-se divertir-se com o RPG, a pessoa que se diverte com o extrajogo, como o nome já diz está se divertindo com algo além do jogo, sem contar que a utilização por parte de um jogador atrapalha a experiência (leia diversão) dos outros.

Só para ilustrar, já tive de lidar com jogadores que roubavam nos testes de dados, colocavam mais xp do que realmente tinham, mentiam sobre habilidades que possuíam, só queriam saber de combate e não queriam saber de interpretar e vice versa, jogadores que cometiam PK sem motivo nenhum, ou por motivos mínimos e nenhum deles jamais chegou perto de fazer o menor dano a mesa e sua unidade, coisa que o extrajogo fez com perfeição.

Como já disse, a regra de ouro encontra-se escrita, preto no branco, em vários livros de RPGs, mas o extra jogo dificilmente tem a atenção que ele merece.

Mas eu garanto que existe uma liberdade em perceber que essas são as regras máximas, qualquer coisa que fique contra elas deve ser descartada sem pensar duas vezes, livre-se dos dados, livre-se dos livros, nada disso realmente importa… E o jogador usuário de extrajogo?

Bem… Só não vou dizer para se livrar de jogador pentelho, porque na minha experiência de vida, meus jogadores, também são meus amigos mais próximos, então converse com ele, vocês são amigos afinal, quando entram em desarmonia, é só conversar que resolve. No meu caso, tenho e tive de conversar várias vezes, mas a cada conversa o jogo melhora, garanto.

Então roladores, só me resta perguntar, qual foi seu pior momento na mesa? Qual foi sua experiência com o extrajogo?

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Classe/Nível: Escritor de Artigos 4°, Tradutor 3°, Zinner 1°.