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Olá aventureiros! Hoje veremos um pouco sobre como criar um personagem consistente com detalhes do ser humano que acabam passando despercebidos de tão naturais que são.

O modelo 5Ps trata de 5 núcleos que praticamente constroem uma pessoa e suas sub-camadas. Cada um deles está presente em todas as áreas de nossa vida a todo instante.

O gráfico ao lado é bem claro e, apesar de parecer ter muita coisa, cada tópico é fácil de ser entendido por ser algo que você mesmo sente ou possui.

Como tudo no mundo criativo, um personagem precisa de referências. Este modelo trata de características comuns a toda pessoa e por isso qualquer um pode servir de referência. Entretanto, a pessoa cujas características você mais conhece é provavelmente você mesmo, então aproveite isso.

Mesmo se baseando em si mesmo, você não é obrigado a criar um personagem igual a você e nem mesmo levemente parecido. Quando você percebe que tem o hábito de fechar qualquer torneira que veja pingando você tem a possibilidade de criar alguém que faça o contrário, por exemplo.

Agora vamos discorrer um pouco sobre cada núcleo:

criando-personagens-ficticiosFísico: a parte material da pessoa é seu cartão de visita e dá a primeira impressão a todos que a veem. Porém, cada um enxerga a mesma característica de um jeito diferente.

Uma voz potente em um homem pode impor respeito, medo ou atração dependendo de quem a vê, então não tente usar um só aspecto para simbolizar a personalidade de alguém, o que é muito comum, mas superficial.

Outro ponto a se destacar no físico é ser coerente com o que o personagem faz. Se uma mulher trabalha em escritório e não faz nenhum tipo de exercício fora, não tem como ela ser toda definida.

Psicológico: se o físico define como os outros te veem, o psicológico define como você se vê. Isso determina todas as nossas ações de modo tanto determinante quanto sutil.

Para criar um bom perfil psicológico de um personagem é essencial criar um passado para o mesmo. Anote situações que aconteceram durante toda sua vida, mesmo que nunca apareça na narrativa ou que o próprio personagem tenha consciência delas.

Uma dica interessante é dar uma olhada no estudo de tipos de personalidade Myers-Briggs ou MBTI. Ele dá 16 combinações de personalidades e detalha várias características de cada um.

Pessoal: na prática, é como vemos o mundo ao nosso redor. A parte pessoal, como o nome já diz, é única e não possui uma fórmula de criação, o que é bom pela liberdade, mas ruim por demandar muita paciência e energia criativa para ficar coerente e único ao mesmo tempo.

O passado da pessoa também é o melhor caminho para construir essa parte, que envolve mais o meio ao redor do personagem do que ele próprio. Como ele processa esse meio vai para o âmbito psicológico.

Um pai cria dois filhos sempre conversando sobre como a vida funciona. Isso pode refletir de forma diferente em cada um, dependendo de como o que eles ouviram condiz com o que eles viveram depois e da personalidade de cada um.

Personalidade: é como interagimos com o mundo de acordo com a visão que temos de nós mesmos (psicológico) e a do mundo em si (pessoal). Ela envolve experiências acumuladas durante toda a vida e pode ser vista como a carga emocional presente em cada ação nossa.

De acordo com a ciência chamada Neurocibernética, o cérebro humano vem evoluindo para o ponto em que nossas ações sejam tomadas por sua parte racional e não emocional. Contudo, ainda não chegamos lá, somos emocionais.

Uma mulher passa na frente de uma loja de chocolates e se sente tentada a comprar um. Se ela resolver aceitar a vontade, agiu pela emoção de satisfação, do prazer, da memória de que comia o mesmo chocolate com o irmão falecido, etc. Caso negue à vontade, agiu pela emoção do medo de não ser aceita se engordar, de subsistência se tiver pouco dinheiro e por aí vai.

Práticas: são as ações que o personagem tomará na história. Pense sempre em dois aspectos: o quê como.

O personagem bebe o quê? E como? Isso pode ter significado psicológico e/ou pessoal.

No filme Hard Boiled, de John Woo, o inspetor Yuen tem seu próprio jeito de preparar sua tequila, o que lhe rendeu o apelido homônimo. Isso se dá à parte pessoal, a visão do inspetor de que aquele é o melhor jeito de se fazer a bebida e não necessariamente tem a ver com qualquer experiência do passado.

Josuke Higashikata usa o maior topete da série JoJo’s Bizarre Adventure por gratidão ao homem que salvou sua vida, que usava o mesmo penteado. Isso tem óbvio peso psicológico e remete ao passado em que não pôde agradecer seu salvador apropriadamente.

O último ponto a levar em consideração é como o personagem encaixa na sua história. Ele pode ser um pacifista em um jogo hack n’ slash, mas provavelmente não seria um bom protagonista. Leve em conta o que vai agradar ou bater de frente com as expectativas do leitor/jogador/etc. Mel é bom, mas tente servir mel a um diabético numa churrascaria e não vai ter um bom retorno.

Veja também nosso artigo sobre criação de personagens de RPG, e sobre o arco do personagem! Para ver como aplicar tudo isso ao criar um personagem para sua próxima campanha.

É mestre? Então veja como criar NPCs, como deixa-los mais cativantes e como deixa-los memoráveis!

É isso aí galera, espero que estas dicas te ajudem a fazer um RPG ainda melhor e ainda sirva para crescermos como pessoas. Até a próxima!!!

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Classes: Compositor 6º, Viajante para o Passado 4º, Leitura não-popular 5º