Galerinha linda que gosta de ler sobre RPG e aumentar o nível cultural na sua campanha, hoje vou falar sobre as sociedades loucas que nós já vivemos e como isso pode ser utilizado para o RPG.

Momento campanha eleitoral gratuita, carta aos players: Sei que os “Subindo o Nível Cultural” tem se mostrado muito voltados para mestres melhorarem suas campanhas, eu já mestro há tanto tempo que parece que esqueci que o maior público são jogadores. Mas não pensem que me esqueci de vocês, primeiramente, se seu mestre melhora alguma coisa por causa dessa leitura eu já te ajudei indiretamente e eu prometo que no próximo vou fazer um SNC mais voltado aos players, mas sem esquecer-se dos mestres, afinal eles devem sempre estarem felizes, pois são eles quem distribuem o XP.

Então vamos começar por tipos de sociedades num mundo medieval.

Se você não sabe o que é mundo medieval leia o começo dos outros Subindo o Nível cultural e retorne.

A definição mais geral de sociedade pode ser resumida como um sistema de interações humanas culturalmente padronizadas. Assim, e sem contradição com a definição anterior, sociedade é um sistema de símbolos, valores e normas, como também é um sistema de posições e papéis.

A origem da palavra sociedade vem do latim societas, que significa associação amistosa com outros.

sociedade-medievalO termo sociedade é comumente usado para o coletivo de cidadãos de um país, governados por instituições nacionais que aspiram ao bem-estar dessa coletividade. Todavia, a sociedade não é um mero conjunto de indivíduos vivendo juntos em um determinado lugar, é também a existência de uma organização social, de instituições e leis que regem a vida dos indivíduos e suas relações mútuas. Há também alguns pensadores cujo debate insiste em reforçar a oposição entre indivíduo e sociedade, reduzindo, com frequência, ao conflito entre o genético e o social ou cultural.

Antes de mais nada, faz-se mister ressaltar (caralho mandei bem na escrita, né não?) que as comunidades se estabelecem pela associação entres seus membros; quando falamos em comunidade humana estamos falando num tipo de sociedade.

joffrey-gotExistem e existiram vários tipos de sociedade, mas nos RPGs medievais nós só vemos o Reinado, herdado de pai para filho e talz. Mas em mundos medievais podemos encontrar todo tipo de coisa, e um local diferente disso seria por demais interessante de topar.

Algumas correntes de sociólogos acreditam que existem duas sociedades bases, a Sociedade comunitária e a Sociedade Societária, não vou discutir se estão certos ou errados (na minha concepção estão errados), mas como são uma maioria relevante vou citar: A sociedade comunitária é tipicamente pequena, com uma divisão simples do trabalho e, consequentemente, com limitada diferenciação de papéis.

As relações sociais são duradouras, inclusivas ou receptivas e íntimas ou pessoais. As expectativas recíprocas das pessoas envolvidas nessas relações pri­márias são difusas e generalizadas; compete-lhes viver de acordo com padrões de respeito, lealdade, afeto, amor. Os contatos sociais predominantes são os primá­rios, isto é, diretos, com uma base emocional, pois as pessoas envolvidas compar­tilham suas experiências individuais.

Numa estrutura social dessa natureza o comportamento é largamente regu­lado pelo costume; a ação flui por trilhas convencionais. Há pouca necessidade da lei formal; a lei, pode-se dizer, faz parte da tradição.

Galera saquem só uma tribo de nômades normais…

– No RPG eu já topei com muitas tribos nômades, mas nenhuma “normal”, como assim? Simples ou eram violentos e queriam nos matar, ou nos contratavam para protegê-los de alguma travessia perigosa, seja na floresta ou no deserto. –

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E ao invés de te atacarem eles simplesmente estão passando, mas estão indo pelo mesmo caminho dos players, mas ao invés de te pagarem por proteção eles apenas convidam para andar com eles, já que estão no mesmo rumo. E por um tempo os Players passam andando com esse grupo simples, sem reis, sem grandes líderes, no máximo um ancião como conselheiro. Esse vínculo que será criado no caminho será uma pitada muito boa caso um grupo de mercenários/monstros/bandidos atacarem eles, ou simplesmente um grupo de soldados nas estradas não os querem deixar passar.

E tem, também a sociedade societária, que se caracteriza pela acentuada divisão do trabalho e pela proliferação de papéis sociais. Os indivíduos precisam enquadrar-se numa complexa estrutura social, em que ocupam determinado status e desempenham muitos papéis dife­rentes e frequentemente sem ligação entre si. Bem grandes metrópoles medievais sintetizam bem essa situação.

As relações sociais nas sociedades societárias tendem a serem transitórias, superficiais e impessoais. Os indivíduos associam-se uns aos outros em função de propósitos limitados. São relações essencialmente instrumentais, cuja impor­tância são as finalidades, muitas vezes desprezando-se o meio para alcançá-las. A vida perde o caráter unitário coesivo. O trabalho fica distanciado da família e do lazer. A religião tende a confinar-se a determinadas ocasiões e lugares em vez de penetrar toda a existência humana. Nessa estrutura social a família não ocupa o lugar central que ocupa na sociedade comunitária.

Na sociedade societária, sempre complexa e diversificada, com variedade de grupos e interesses muitas vezes conflitivos, rompem-se em grande parte a influência penetrante da tradição. A relativa uniformidade de pensamento é em geral substituída por uma enorme variedade de interesses e ideias divergentes. São relativamente poucas as crenças, os valores e os padrões de comportamento universalmente aceitos. A moral se encontra enfraquecida e a lei formal emerge para regular o comportamento e governar o intercâmbio social.

No lugar da firme integração, carac­terística da sociedade comunitária, a sociedade societária é frouxamente articula­da e o grau de consenso tende a diminuir. Isso pode sugerir uma frequência maior de situações de conflito.

Imaginem problemas que nós temos nas capas dos jornais aparecendo em um mundo o medieval. Lembrando que nem todos os mundos medievais será possível isso, mas pense analise e coloque se você achar por bem.

berserk-cap3Exemplo, a cidade é governada por um prefeito que é eleito democraticamente. Alguém que faça parte da oposição pode contratar o grupo para descobrir podres do prefeito ou comprovar a sua corrupção. Lembrando que no tempo medieval a situação seria diferente, pode ser que isso gere um linchamento e/ou até uma guerra civil naquela cidade.

Os players podem ser contratados para intermediar uma negociação entre donos de uma fabrica de munição e seu sindicato.

Isso daria aventuras inéditas como também vida á cidade, os feitos serão comentados, para o bem ou para o mal e a taberna seria um local em que velhos bêbados falariam de política e não só um lugar pra aventureiros.

Repensando o Reinado

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Talvez um dia eu faça um SNC só para Reinado e Principado, mas nesse momento quero mostrar uma maneira de repensar um Reinado. Em alguns mundos de campanhas o Reinado é exageradamente extenso. Como já disse não vou entrar no mérito, apenas dizer que na campanha o reinado pode ser pequeno o que faria os players conhecerem outros reinados, cada um com sua peculiaridade. Exemplo temos Elders Scrolls V: Skyrim, existe um rei maior e existe o Grande Rei de Skyrim, o Grande Rei de Skyrim pode ser desafiado por outro Rei e quem vencer o combate torna-se o Grande Rei de Skyrim. Imagine um reino onde o Rei pode ser desafiado a um combate letal e quem vencer volta ao, ou toma o trono. Um Rei de um reino desses deve ser muito forte.

Outra aventura que os players podem entrar nesse exemplo de reino é uma trapaça durante o duelo, seja do atual Rei, seja do desafiante, que pode gerar muito pano pra manga.

ube-ka-16-08-31-greekstudySaindo da ficção temos Grécia, e suas várias cidades estados, em algumas dessas cidades estados tinha uma espécie de reinado bem diferente, existia o senado, os sacerdotes e o Rei. O rei servia apenas para dar o voto de minerva, ou seja, o senado definia as coisas, mas se os sacerdotes discordassem o Rei desempataria, mas fora essa situação ele não decidia nada ficava apenas de representante da cidade.

Temos que lembrar por que as pessoas gostam de viajar, afinal os Personagens jogadores não se tornaram aventureiros para ter a mesma experiência em todos os lugares, ele o fez para conhecer novos lugares e ter diversas experiências nesses lugares diferentes, o mesmo motivo tem tantas pessoas que gostam de viajar.

Transformar cada reino em algo único, cada experiência singular, vai fazer cada sessão algo diferente. Espero que eu tenha ajudado e espero que seus dados estejam sempre ao seu favor. No mais, gostaria de seus comentários e sugestões, se quiserem solicitar algum aspecto cultural que eu deva abordar futuramente e ajudá-los a aprofundar suas jogatinas.

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Classe/Nível: Escritor de Artigos 4°, Tradutor 3°, Zinner 1°.