Film noir e games não são um casamento recente

Década de 1940. O ataque dos japoneses a Pearl Harbor está em todas as manchetes. A vida em Chicago é abundante. E a morte também.

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A capa ocidental para NES foi a mais bonita e a que mais criava o ambiente do jogo na cabeça do comprador

Déjà Vu é um adventure para Vários retro-PCs, GBColor e NES da ICOM Simulations e foi distribuído pela Midscape e pela Kemco, que anos depois traria Top Gear ao mundo. Esse estilo de jogo não foi tão comum no sistema da Nintendo, mas este título mostrou que era possível fazer um adventure excelente no console japonês.

Desenvolvimento

Deja Vu Mac Opening
O primeiro Macintosh tinha gráficos interessantes, mas ainda faltava cor

Lançado originalmente para Macintosh em 1985 e estreando a engine MacVenture, a ICOM lançou vários ports do jogo até 2002, acrescentando melhorias como cor e som até o NES. A ICOM foi uma softhouse americana que funcionou de 1981 a 1997, lançando séries como Sherlock Holmes e Beavis & Butthead além de outros títulos avulsos. Uma grande contribuição foram os adventures lançados com sua engine MAcVenture, que além de Déjà Vu também recebeu Shadowgate e Undivided, grandes jogos na era Macintosh. Com sua falência, seu acervo foi para domínio de outras empresas e Déjà Vu continuou a ser relançado.

História

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Como seria acordar sem saber onde está e nem quem se é?

Tudo começa com o protagonista acordando em um banheiro com uma dor de cabeça horrível. Ao se olhar no espelho ele logo percebe que não se lembra de quem é nem como chegara ali. Um cadáver jaz no cômodo adjacente e sua intuição diz que a culpa do crime cairá sobre ele. Daí em diante, a caça por pistas de sua identidade se mistura com os perigos de quem já sabe quem ele é.
É impossível confiar em quem quer que seja em uma corrida contra o tempo para resolver o mistério de sua identidade e se livrar de seus perseguidores.

O ambiente de film noir clássico, com detetives particulares e perigos em cada esquina foi muito bem aproveitado em Déjà Vu. Até o HUD foi estilizado como papeis batidos em uma máquina de escrever.

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Ao fazer algumas descobertas, novas telas substituíam a visão do cenário. Isso também dá uma sensação de recompensa ao jogador

Game Design

Não há surpresas nas versões de PC comparado a outros jogos do gênero. O cartucho para NES usava uma bateria para guardar até 3 campanhas, algo que só ficou popular no Super NES.

A exploração de ambientes e a obtenção, combinação e uso de itens são basicamente o que o jogador vai encontrar. Os desafios são variados e coerentes. O jogo é relativamente pequeno, mas o grau de dificuldade é muito alto e requer um bom tempo para se avançar.

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A interface para NES foi modificada para funcionar melhor com o controle e deu certo

A música de Déjà Vu

A música só está presente nas versões dos consoles da Nintendo e foi composta por Hiroyuki Masuno no NES, que trabalhava para a distribuidora Kemco. Não há créditos no jogo por, segundo ele, não haver espaço na ROM. A versão de GBC teve rearranjo de Kouji Nishikawa.

Seguindo o ar film noir do jogo, a música balança entre jazz e blues. A tensão, apesar da simplicidade das faixas, é bem presente e parece emanar das cenas do jogo. Mesmo tão harmonizada, a trilha é apreciável sem esforço fora do jogo.

Esqueço quem sou, mas não o que eu jogo

Deja_Vu
Versão para Commodore 64

Para ser relançado por 17 anos, não há dúvidas de que se trata de um bom jogo, que durou mais que sua própria softhouse. Jogos adventure sempre são carregados de suspense, mas poucos fazem o jogador se sentir na pele e com os talentos e defeitos de um personagem como Déjà Vu. A imersão instantânea esconde qualquer marca de idade e garante diversão para quem quiser ainda hoje e por muito tempo além.

 

Some Links to the Past

Rom para NES

Déjá Vu I e II para GB Color

Trilha Sonora (versão NES)

 

mm

Classes: Compositor 6º, Viajante para o Passado 4º, Leitura não-popular 5º