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Iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiai galera, hoje vamos dar início as nossas aulas de arquitetura para RPGistas. “Como assim Thay? ” É isso aí, para auxiliar na descrição de cenário (e até na construção deles) trago informações e curiosidades sobre ambientação, vamos falar de construções e monumentos, cidades e vilas, e qualquer outro aspecto arquitetônico que possa surgir em suas aventuras. Ao fim, deixe suas dúvidas e sugestões nos comentários.

A aula de hoje é sobre castelos. Ao contrário que muitos pensam, os castelos não tinham como função primordial servir de moradia, mas sim como proteção do feudo, como um forte, existem castelos com registro a partir do século XI apesar de construções com funções semelhantes existiram até mesmo na Idade da pedra.

As ascendências mais longínquas de castelos no continente europeu são os castros proto-históricos (ruínas ou restos arqueológicos de um tipo de povoado Calcolítico¹ e da Idade do Ferro característico das montanhas do noroeste da Península Ibérica, na Europa), que depois evoluíram para um reduto (“castellum”), dominado por uma torre de vigilância, cercado por um fosso (“fossa”) e por uma muralha (“vallum”).

¹Idade do cobre, aproximadamente 2500 a 1800 a.C.
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Vista e recriação de um castro: Ruínas da Cividade de Terroso, Póvoa de Varzim

Arquitetura dos castelos da Idade Média

Castelos de madeira. Modelo “Motte” e “Bailey”.

Os motte and bailey surgiram (em forma e função) primeiramente na França. Durante os primeiros séculos da Idade Média (até o século XI, aproximadamente), os castelos eram erguidos de madeira retirada das florestas da região. Seu interior era rústico e não possuía luxo e conforto, eram rápidos e fáceis de construir, mas também eram mais fáceis de atacar e destruir. Eram constituídos por um talude onde se situava o castelo e por um pátio onde estava a população. Modelo conhecido como “Motte” onde era um monte natural ou construído pelo homem onde o castelo era erguido cercado por uma paliçada e “Bailey” seria o muro mais externo de um castelo separado por uma ponte de madeira que podia ser removida em caso de ataque inimigo. É nessa parte onde viviam as pessoas e os animais. O redor das duas estruturas tínhamos um fosso.

A facilidade e rapidez de construir um castelo de madeira fazia com que os grupos pudessem avançar mais rápido em suas conquistas, além que os primeiros castelos tinham um variedade pequena de habitantes visto que sua função não era de povoamento. No “motte” à priori residia o senhor do castelo junto com sua família e alguns nobres de seu grupo, fora soldados e serviçais imediatos (cozinheiras e outras pessoas com afazeres domésticos).

Na parte mais baixa encontravam-se o resto da população, formada por soldados, ferreiros, cuteleiros, criadores (de porcos e galinhas principalmente), cozinheiros e boticários. Pessoas além as que possuíam estas funções eram raras nos castelos. As comunidades se formavam ao redor dele e geravam vilas com casebre espalhados por consideráveis áreas. Em caso de ataques, as pessoas corriam para dentro dos muros, se os senhores assim permitissem.

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Castelos de Pedra

Ainda eram no modelo Motte e Bailey porém agora de pedra, sendo assim demoravam mais tempo de construção porém era mais fortes. O castelo que antes tinha apenas como função de defesa agora se torna sinônimo de poder conforme sua grandeza. Este caráter simbólico de poder é fácil de ser entendido pois para a construir um castelo tão imponente precisava-se de muitos fundos e mão de obra. Os castelos de pedra eram feitos de pedra espessa com poucas janelas. Sua entrada era feita por degraus de pedras que levavam ao primeiro andar. No térreo ficava localizada a cozinha e nos andares superiores os alojamentos. Sua forma retangular foi tornando-se circular como tempo e o “Beiley ficou fora da área da fortaleza, mas protegida por uma muralha. Todo o castelo podia ser cercado por um fosso tendo uma ponte levadiça.

Após a época das Cruzadas houve uma evolução do traçado dos castelos Europeus. Agora as estruturas passaram a se desenvolver de forma concêntrica, onde uma torre de mensagem passava a ser cercada por dois ou mais anéis concêntricos de muralhas que passaram a ser reforçadas por torres quadradas e, posteriormente, circulares, menos vulneráveis. Ameias (é a abertura, no parapeito das muralhas de um castelo ou fortaleza, por onde os defensores visavam o inimigo.) foram dispostas no alto das torres e dos muros, visando a proteção dos defensores.

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Os espaços entre as duas muralhas eram conhecido como “buraco da morte”, pois ficar preso nesse espaço significava ser flechado pelos arqueiros posicionados tanto no primeiro muro como no segundo praticamente morte certa para quem invadia.

Por dentro do castelo medieval

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Couraça: é um caminho que se projeta para o exterior da muralha principal de um castelo ou de uma povoação fortificada medieval.

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Castelo de São Jorge, em Lisboa, vendo-se, à esquerda a sua couraça.

Adarve (chemin de ronde): caminho estreito no topo das muralhas.

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Castelo de Montemor-o-Velho

Cubelo: Torreões de planta circular ou semicircular com função de reforço da muralha.

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Castelo de Santiago do Cacém – Corredor da liça e cubelo semicircular.

Barbacã: é um muro anteposto às muralhas, de menor altura do que estas, com a função de defesa do fosso.

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Castelo de Santiago do Cacém

Torre de Albarrã: é uma torre saliente em um castelo, à qual se liga, em geral, por um passadiço.

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Torre albarrã das Muralhas de Loulé, Portugal.

Baluarte ou bastião: é uma proeminência de uma extremidade do muro aumentando a área de ataque e defesa para fora da zona do castelo. Pode ser próximo ou afastado do muro, tanto em forma circular como pentagonal.

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Cadafalso: estrutura provisória feita de madeira, construída sobre o muro ou torre, propiciando proteção contra as condições do clima e maior proteção onde arqueiros se posicionavam-se durante conflitos.

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Castelo Castle Carcassonne, France

Mata-cães: uma espécie de cadafalsos. Abertura no chão entre as mísulas que sustentam as ameias ou os balcões das fortificações medievais, através da qual se podia observar os atacantes que se encontravam na base da muralha defensiva.

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Poterna: porta secundária que dá acesso ao exterior do castelo permitindo a entrada ou saída da fortaleza sem atrair grandes atenções.

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Poterna Sueste do Castelo de Puilaurens em França.

Rastrilho: grade de ferro formada por barras de ferro aguçadas na ponta que interceptava o passo entre a ponte levadiça e a porta da fortaleza.

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Castelo de Leeds

Seteira: abertura no muro de onde se disparava setas ou flechas.

E essas são as áreas principais dos castelos, espero que tenham entendido um pouco sobre os castelos e porque é tão difícil invadi-los. Deixem nos comentários sugestões de temas e até a próxima aula!

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